A amamentação - Quando a mãe fala

A amamentação

Este é um tema controverso e de alguma discussão nos fóruns de mamãs por onde passo. Temos mamãs que amamentam e tiram prazer nesse ato e outras que não amamentam porque decidiram não amamentar ou porque de facto não se sucedeu a amamentação por variadíssimas razões. 

Decidi, a par e passo dos testemunhos que tenho recebido e em função dos vossos pedidos (aos quais estou sempre muito atenta, miúdas!) partilhar a minha experiência. 

Desde que engravidámos (sim, falo sempre no plural pois os pais também ficam (e devem ficar) grávidos, que mais cedo ou mais tarde, nos surge a questão quanto à amamentação. Ora porque de facto, todas temos a consciência dos seus benefícios para o bebé e para a mãe (essencialmente na recuperação de peso pós-parto), ora porque, a organização mundial de saúde, faz a recomendação do aleitamento materno em exclusivo nos primeiros seis meses de vida e somos confrontados (e até inundados) ao longo da gestação com vários momentos de exposição desses benefícios e recomendações, que nos indicam qual o caminho a seguir: amamentar e ponto.   
Pronto, até aí tudo bem. 

Lemos e relemos e damos conta de várias componentes que devemos ter em conta ao facto de amamentarmos o nosso bebé: a pega no peito, a posição na hora de amamentar, o estímulo à amamentação, a ingestão de líquidos durante a amamentação, os cuidados alimentares, a higiene, a lanolina, as compressas frias e quentes, as máquinas de extração do leite, os soutiens apropriados, os discos... os mamilos de silicone... e toda uma panóplia de “instrumentos” que se quer que sejam o mais natural possível (ahahah). 

Pois ora bem! 
Sejamos práticos, durante a gravidez, prepara-se muito as mães para o parto, com as aulas e os workshops, com todos os exercícios necessários e fala-se numa amamentação, livre, prazerosa e muito necessária e benéfica ao bebé e para a mãe. Não nego que tal como a grande maioria, li muito durante a gravidez e li também sobre os leites de fórmula, Entendendo que devia estar preparada para tudo. Conversei com a minha médica e expus todas as minhas dúvidas (e acreditem, eu escrevia mesmo as dúvidas no bloco de notas e levava a cada consulta) e fui acalmando a minha ansiedade com as suas respostas e orientações. 
Recordo, que a primeira delas e sobre este assunto, foi colocar-me a pensar sobre isso e qual a minha decisão: amamentar ou não amamentar? Após a decisão da mãe (conjuntamente com o pai, claro) e sem prejuízo de considerações culturais, sociais e até de profissionais de saúde, sentir essa liberdade em decidir o que queria de facto fazer. 
A minha decisão estava tomada desde o início. Eu queria amamentar. O medo era outro. Era não ter leite para isso e não saber como fazê-lo. Aí, os workshops, as leituras, as conversas com outras mães, com as tias e por aí adiante, foram me ajudando a entender que isso era mais um dos processos naturais e hormonais do nosso corpo. E acreditem, é difícil acreditar nisto, até o dia que se verifica que é exatamente isso que acontece: magia. 

No dia do parto e até dias antes, já havia dito que queria mesmo amamentar o meu bebé e por isso não queria a introdução de leite de formula à nascença. Eu daria (ou melhor) ia tentar. 
E assim foi. 
A Be nasceu e magicamente o que horas e minutos antes não havia, passou a haver logo que se aninhou junto a mim, cheirou o mamilo e sugou pela 1ª vez. Tive ajuda de uma enfermeira que atentamente e cuidadosamente me disse que a magia ia acontecer. A Be mamou muito no hospital. Eu sabia que quanto mais estimulasse mais leite produziria. E fi-lo na perfeição. 
Não posso esquecer de referir a partir das 32 semanas, comecei a usar lanolina (lansinoh HPA) e fui preparando o mamilo para a sua derradeira tarefa. 

Ainda no hospital, fui confrontada com a subida (ou descida) do leite (confesso que no meu caso, o meu não só subiu, como desceu, fez rotundas, foi aos Alpes e veio de TGV) e fiz febre. E é aqui que vos quero, de facto, auxiliar com a minha experiência. Após a subida do leite, sensivelmente, entre o 3º e 6º dia pós-parto, o mamilo que já está muito sensibilizado e ferido defronta-se com uma mama muito cheia, dura, firme e a fervilhar. Dói. Não nego. Mas em todos esses momentos e apesar das leituras e partilhas que li e ouvi, eu não fazia ideia que era assim e confesso, não estava preparada. 
Fiz 40 graus de febre, ainda no hospital e tive que fazer um inibidor de produção. Foi difícil tomar algo que no fundo me iria impedir de produzir aquilo que eu temia não ter produzido. Mas era mesmo necessário. Tomei, fiz paracetamol e é ai que surge muita dor. Temos um mamilo dolorido, uma mama muito inchada e um bebé a querer mamar de 2/2h. Não consenti uma máquina de extração, nem mamilo de silicone, nem os protetores de seios. Fiz lanolina, muita, fiz terapia de quente e frio e não deixei de beber água (senão desidratava, por completo, estava cheia de sede). 

Já em casa, e ainda no rescaldo, tive uma  noite interminável onde, de facto, me passou pela cabeça desistir e optar pela alternativa do biberão. Consegui resistir, acreditando e com algum choro, que tudo ficaria bem e que eu iria conseguir amamentar com prazer a minha bebé. 
Foi fundamental a presença do meu marido. Pela mão que me agarrava com força enquanto eu amamentava e tinha dor e pelo facto de cuidar da bebé logo após a amamentação, enquanto eu tratava de cuidar do mamilo e de uma mama cheia de leite. 
Fui, enquanto grávida e mamã de 1ª viagem, confrontada com os benefícios do aleitamento materno e confesso que por acreditar neles e na salvaguarda de uma alimentação rica em nutrientes, dinâmica (já que se trata de um leite que se vai modificando mediante as necessidades de desenvolvimento do nosso bebé) não foi difícil decidir amamentar. Esse era o caminho e não por uma questão social ou cultural mas somente pela responsabilidade máxima de dar o melhor que puder à minha Be. 
Não pensei que fosse tão difícil assim... mas também não é nada que não se supere. Atenção: há mulheres que sofrem horrores e com as mastites e acabam por interromper a amamentação. Não foi o caso. E há  conselhos e diretrizes médicas que nos ajudam a superar ou até mesmo prevenir tais situações. 

Pois bem, simplificando este processo que é natural (e atenção, não acontece com as todas as mulheres uma subida do leite mais difícil), as hormonas tomam conta de tudo isto e facilitam a lactação. Logo, a prolactina começa a funcionar e o leite começa a ser produzido através da sucção do bebé que emite informação ao nosso cérebro. É muito importante, de facto, uma boa pega não só para a mãe como também para a refeição do bebé se tornar mais prazerosa. 

É importante permitir que mame livremente e que a posição seja de conforto para ambos, sabendo que a amamentação não tem que ser algo doloroso e que é legitimo para qualquer mãe optar (até mesmo decidir) não amamentar ou parar de o fazer. Hoje em dia, os leites de formula, são ricos em componentes para um crescimento saudável do seu bebé logo é totalmente legítimo decidir não o fazer mesmo que ( e há de facto muitas indicações de saúde para que amamente o seu bebé desde o início e em exclusivo até aos seis meses) seja pressionada a fazê-lo. É uma decisão válida optar por leite de formula ou realizar a extração do leite.


O importante, e parece-me a mim, e na minha humilde opinião, mais consciente,  que a amamentação seja algo positivo para ambos, vinculativo e um momento de amor. O que não quer dizer, que ao dar o biberão não estará a vincular-se ao seu bebé de igual forma. São opções. Puramente isso.



Os pediatras e especialistas têm toda essa consciência e formação e darão por certo o seu melhor conselho.



No meu caso, após uma subida do leite “complicada”, amamento ainda hoje a minha bebé e sou inteiramente feliz a fazê-lo. Nunca dei um biberão à Be não porque não quis ou tentei, mas porque simplesmente nunca pegou num biberão... recusou-os a todos...



Deixo-vos apenas o conselho que me foi dado antes de amamentar. Uma mãe que quer amamentar, tem que querer muito fazê-lo. É muito saudável, prático, é económico e é mágico mas não é sempre fácil. Ao inicio, dói e dói a sério mas depois de um mamilo “guerreiro”, está pronta para largos meses de colinho de leite materno...


Como foi convosco?

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