O meu pai. - Quando a mãe fala

O meu pai.





Quando nasce uma gravidez, nasce no casal as primeiras noções de responsabilidade e parentalidade. Nascem as expetativas, as grandes ideias, as sensibilidades e até alguns receios. 
No dia do nascimento, não só nasce o bebé como uma mãe e um pai que, à data, viviam um para o outro e sonhavam e idealizam o seu bebé. Em expetativa constante, nascem os primeiros sonhos, fantasias, desejos e ambições e toda uma dedicação cheia de afeto. No entanto, é, a partir daquele dado momento, que se tornam eternamente responsáveis pelo seu rebento e pelo seu futuro. 

Nasce o pai. Nasceu um pai. O pai da Be. 














Nasceu um pai atento, dedicado, responsável, protetor e cuidador. O pai que sabia que ser pai não era só pegar ao colo, era dar colo. Sabia que não era dizer que a fralda estava suja, era trocá-la. O pai que sabia que dar o banho podia ser um dos melhores momentos de ambos. Sabia ainda,  que adormecer, ouvir música e cantar baixinho não é na voz das mães e que por isso, podia fazê-lo e repetí-lo e que ajudar a mãe na fase da amamentação era o ideal para promover o vínculo de ambos. 

Nasceu ainda o pai, o que cuidava da filha e da mãe. Que conhecia também o instinto e sabia interpretar as necessidades da sua bebé. O pai que também era inseguro mas que respondia o melhor que sabia. O pai que sabia que a mãe precisa de apoio e divide as suas responsabilidades não por dever apenas mas por direito. 


O pai que dividiu a licença de parentalidade para além da obrigatória e que se assumiu ativo, prestativo e cuidador. O pai que conhece que as hormonas pregam choros e alterações de humor, que trazem fome e cansaço, desespero e alguma exaustão. O pai que compreende que ser mãe é duro e que há dores, no pós-parto (e pré-parto, inclusive) e que sabe que é preciso (urgente) ouvir, escutar e acarinhar. Não é apenas dizer “continuas linda” é fazer com que a mãe o sinta e desfrute da gravidez e do puerperio com todo o amor do mundo. 


O papel da mãe é, por isso, muito mais perfeito quando existe a dedicação por parte do pai. Quando o pai se envolve, colabora e assume o seu papel, não delegando responsabilidades afetivas e emocionais na mãe e a criança vive em harmonia e sente este núcleo no seu desenvolvimento promovendo que se sinta segura e amada. São cúmplices, chegam a acordos e dividem responsabilidades, estão a assumir a paternidade (maternidade) mutuamente. 

O pai tem assim que agir na frente (como a mãe). Não há diferença. Não há mais nem menos competência. Não há um mais capaz do que outro. Há dois capazes e cada um tem o seu papel. Um pai não amamenta, mas sabe dar colo para arrotar. Um pai, troca a fralda, brinca, estimula e coloca a adormecer. Sabe ouvir, sabe interpretar e sabe cuidar. É mais do que dar o apelido, é sentar-se no chão e brincar, olhar nos olhos, é mimar, é proteger e é amar. 




Como foi convosco?

Conto convosco, logo, na RTP-M para refletirmos sobre o papel do pai nos dias de hoje. 






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