Creche? Aqui vou eu! - Quando a mãe fala

Creche? Aqui vou eu!

É um tema controverso e doloroso, acreditem. Desde que engravidei, comecei logo a pensar onde deixaria a minha Be quando regressasse ao trabalho. Se por um lado, defendia que a integração numa creche favoreceria a sua interação social, desenvolvimento pessoal-social e cognitivo. Por outro,  colocá-la a partilhar a atenção dos adultos, com mais 10 ou 12 crianças, tirava-me o chão. 
Claro que, depois do parto e ainda, nos primeiros dois meses de amamentação, o assunto “creche ou ama” ficou totalmente de lado. Porém, ainda com 23 semanas de gestação e já tendo palmilhado meia dúzia de creches e infantários, vi-me pressionada a pagar a matricula numa creche, por prudência de “guardar a vaga”. 
Pois bem, escolher uma creche foi difícil. 
Se por um lado, nós os pais, pensamos na comodidade dos espaços, nas áreas de lazer, nas dinâmicas criadas em sala, no número de bebés, nas exigências de horários, no cardápio da alimentação, nas extra-curriculares, na formação pedagógica dos educadores, no número de elementos auxiliares em sala, nas rotinas... por outro, assombra-nos, inevitavelmente, o deixar a Be com estranhos...com pessoas de que não fazemos a mais pávida ideia de quem são, de como falam, de como cuidam de um bebé, se são mais ou menos afetuosos, se respeitam e conseguem interpretar os sinais do nosso bebé (sim, que é nosso e é único e só nosso e, achamos nós que somos os únicos a entendê-los...) Irra! Que decisão!
Por outro lado, uma ama!
Cá em casa, quase que se faziam apostas e se conseguiam dividir votos género assembleia além de que tínhamos um role de exigências, que nem a Robot Sophia, nos aturaria nos primeiros milésimos de segundo. 
“Se era jovem, sem filhos, era inexperiente”; “se era jovem e com filhos, estava cansada de aturar os seus”; “se era jovem e casada, há que averiguar se tem referências”; “se já era avó, há que ter atenção se não criava um vínculo e depois saia para a reforma”... 
Acredite, foram serões nisto!
No entanto, a hipótese de uma creche/infantário ganhava peso. 
Nós acreditávamos, e acreditamos ainda hoje, que fizemos a escolha certa. Todavia, não acertamos na primeira escolha.
Inicialmente, integrar um bebé numa creche, com seis meses, amamentado exclusivamente, trouxe sérias complicações de rotina tanto para nós, os pais, como para os educadores. 
Por outro, o que inicialmente se revelava numa sala com o número razoável de bebés para o número razoável (mínimo) de adultos, rapidamente se tornou numa sala cheia de bebés, com etapas de desenvolvimento diferentes (e naturalmente com outras necessidades de resposta) e sem espaço a tão prezada interação social. Percebemos que não seria ali o cantinho da Be.
Felizmente, tínhamos na manga outra alternativa. Mais longe, o que não beneficiava em nada a rotina matinal e nos colocaria no centro do trânsito, mas que daria a resposta “ idealmente ideal” para aquilo, que nós os pais, consideramos essencial para a Be, nesta fase. 
Parece que acertamos! 
Fez uma integração incrível, adora os amiguinhos e tem passado por experiências incríveis. Frequenta uma escola bilingue, onde desde os berçários se incentiva o contacto com a língua estrangeira – inglês – e onde beneficia de uma ampla sala de “trabalhos” (sim, trabalhos, porque a Be todos os dias tem um montão de tarefas para fazer, que adora) e reúne espaço: não há bebés uns em cima dos outros e além disso, há adultos, felizes e acolhedores, que não estão oprimidos entre grades de berços, cadeiras da papa e fraldários. Existem áreas e espaços definidos. Onde se brinca, não é onde se dorme. E isto faz-nos sentido. Tem feito tanto sentido...
Além disso, ouvem-se os bebés, as crianças, as salas mais do que propriamente “os papás, as mamãs, os avós”. As creches são das crianças: elas é que precisam de atenção, da atenção! Logo, embora, consideravelmente, faça parte do grupo das “mamãs mais chatas do colégio”, a Be tem uma escola que a OUVE, que a ESCUTA e que compreende que cada pai, cada mãe e, fundamentalmente, cada criança é DIFERENTE.
Por outro lado, é uma escola que prima pela inovação tecnológica, não subestimando a riqueza do contacto com a terra, com o solo, com a natureza mas também procura que todos integrem a realidade que vivemos neste século e a verdade é esta: somos (tornamo-nos) seres tecnológicos e este avanço tem um lado muito positivo (que deve ser reforçado).

Ora então, ficam as dicas:
1. Elaborar critérios de seleção da creche (focado 1º no bebé e depois nos pais);
2. Fazer visitas, em horários diferentes, à creche e tentar conhecer a Equipa de sala criando uma relação de confiança e de partilha - afinal é esta Equipa que ficará com o seu filho;
3. Verificar horários de entrada e saída - o ideal é não ter, principalmente para pais que trabalham por turnos;
4. Verificar as necessidades - se é necessário levar lençóis, reforços de refeição (compotas e iogurtes)  e optar por creches com tudo integrado pois, ACREDITEM, não terão tempo para lavar tantos pares de lençóis por semana;
5. Verificar o número de bebés em berçário e possíveis entradas - avaliar o número máximo de bebés e avaliar o espaço da sala com todos lá dentro;
6. Verificar a conservação e zona de conservação de leite materno para refeições na creche;
7. Preparar-se, no seu tempo, para o “desapego” gradual do seu bebé - vai custar horrores mas “dizem” que os bebés ficam bem. Confie nisso!




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