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Serão os filhos nossos para sempre?
A ideia aterradora de que os filhos não são nossos é algo que me tem vindo a passar pela cabeça.
Um dia destes li um artigo de Eduardo Sá (do qual sou fiel seguidora) e percebi que de facto é algo que nós os pais acabamos sempre por esquecer... ou melhor, não pensar.
Serão os filhos, os nossos filhos, depois de crescidos, nossos para sempre?
A resposta é inevitavelmente assustadora: não!
Ora bem, como é possível, que a minha Be depois de se tornar menina e moça, crescida, profissional e eventualmente dona de família, não seja "a minha Be? Filha de sua mãe'".
A evidência é clara e claramente nada confusa, senão vejamos: criamos os filhos e educamo-los para serem autónomos e independentes, criarem laços e construírem-se enquanto seres sociais, desejando que se emancipem de nós e criem eles próprios aquilo, que nós a tanto custo, tentamos-lhes proporcionar, ao longo desta caminhada de crescimento e ensinamento. Até aí, tudo bem.
Porém, desde cedo se formam seres unos e individuais, com características próprias e, tantas vezes, diferentes daquilo que propriamente gostávamos que não fizessem ou que gostávamos que tivessem sido.
Ora aí está o foco e a questão: eles próprios são seres divisíveis de nós mesmos (os pais e ridiculamente das mães, até das mães!!) e seguem caminhos opostos, diferentes (e devem de os seguir) e não são nossos como palpitavamos no ventre e ao longo dos primeiros anos. São deles e tornam-se deles e por isso, fazem escolhas e devem de fazê-las e pior, devem de seguir esse caminho calçados com a educação que nós, os pais lhes demos, mas de mãos dadas no futuro que escolheram (que não parte de nós sermos nós a escolher e muito menos a decidir).
Faz-me sentido embora me custe, de certa forma, entender esta forma tão simplista de dizer que “não temos domínio sobre os nossos filhos e por isso não serão nossos para sempre”. É facto que procuro, já e diariamente com a minha Be, que ela faça as suas escolhas, que procure estar da forma que mais gosta (o que não quer dizer que não a aproxime daquilo que eu também mais gosto). Sei, no entanto, que com a maturidade do seu desenvolvimento haverão tantas coisas de que deixará de gostar (e que antes gostava ou pensava eu que sim) e que escolherá, livremente, dentro daquilo que será a sua ideologia os caminhos a seguir.
Após a reflexão daquele maravilhoso texto, confesso que o sentimento que, inicialmente foi de algum medo e até receio, no final me deixou esplendidamente cheia de riqueza e com a vontade imensa de transmitir os valores sociais e humanos à Be, da forma mais simples possível, para que possa ela própria, e fruto da educação que receber, fazer as melhores escolhas de sempre.
Porque eu poderei de facto, a partir de uma dada altura, deixar de ter esse domínio, mas nunca deixarei de ser o colo, o amparo, a voz quente de uma mãe que a admira (mesmo quando ouvir a música mais horrorosa e aos altos berros no quarto, mesmo quando vestir uns jeans rasgados ou optar por fazer escolhas nada semelhantes às minhas), serei eu, a mãe, que lhe dirá sempre: vai correr tudo bem.
Faz-me sentido embora me custe, de certa forma, entender esta forma tão simplista de dizer que “não temos domínio sobre os nossos filhos e por isso não serão nossos para sempre”. É facto que procuro, já e diariamente com a minha Be, que ela faça as suas escolhas, que procure estar da forma que mais gosta (o que não quer dizer que não a aproxime daquilo que eu também mais gosto). Sei, no entanto, que com a maturidade do seu desenvolvimento haverão tantas coisas de que deixará de gostar (e que antes gostava ou pensava eu que sim) e que escolherá, livremente, dentro daquilo que será a sua ideologia os caminhos a seguir.
Após a reflexão daquele maravilhoso texto, confesso que o sentimento que, inicialmente foi de algum medo e até receio, no final me deixou esplendidamente cheia de riqueza e com a vontade imensa de transmitir os valores sociais e humanos à Be, da forma mais simples possível, para que possa ela própria, e fruto da educação que receber, fazer as melhores escolhas de sempre.
Porque eu poderei de facto, a partir de uma dada altura, deixar de ter esse domínio, mas nunca deixarei de ser o colo, o amparo, a voz quente de uma mãe que a admira (mesmo quando ouvir a música mais horrorosa e aos altos berros no quarto, mesmo quando vestir uns jeans rasgados ou optar por fazer escolhas nada semelhantes às minhas), serei eu, a mãe, que lhe dirá sempre: vai correr tudo bem.

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