conhecer o bebé
maternidade
Nascimento do bebé
visitas na maternidade
Conheci o meu bebé!
Todos nós sabemos o quanto sonhamos com o dia do nascimento do nosso bebé, com aquele dia mágico em que trocamos olhares com ele, sentimo-lo pertinho de nós e conhecêmo-lo. É, sem dúvida alguma, um dos melhores dias da nossa vida.
É também neste dia, que no meio de tanta adrenalina, nos abate um medo e uma insegurança tremenda de não conseguir responder a tudo o que nos espera e a par disso, o confronto imenso com o AMOR, com um afeto tremendo que diante dos nossos olhos, está ali, pequenino, encarnado, frágil, um bebé que entrelaça os dedos e só conhece o nosso cheiro. É arrebatador!
Confesso, que foi dos momentos mais mágicos que vivi até hoje (vivo diários e intensos, com a Be, calma!) e que, desde que me recorde dele, sinto borboletas na barriga e o peito salta de tanta euforia. Sei também, já mais consciente e colocando de parte o encantamento, que foi também um momento de descompressão imensa. Acho que toda a mulher chora neste dia. Recordo que foi uma descarga imensa, conhecê-la, observá-la a mexer-se, aninhar-se na minha pele, conhecer o meu toque e acalmar-se com a minha voz. Amamentar pela primeira vez, contar-lhe os dedinhos e ver, saborosamente que “fabriquei” magia durante 9 meses. Recordo ainda, a descompressão de olhar para um pai que se fez naquele momento, que encantado, emocionado e protetor, conheceu também a sua bebé.
Éramos os dois grávidos naquele preciso dia. Eu, porém, com um pouquinho de maior dor pelo parto, somente.
Conhecer o nosso bebé é sempre um momento marcante. O impacto com a maternidade e com a realidade pode ser por um lado assustador, por outro é puramente o melhor momento das nossas vidas que ali se assiste e se inicia e se padroniza como um acordo eterno de responsabilidade, proteção e amor.
É importante, que nesse dia e nos vindouros, os pais, saibam conversar muito e muito além dos diálogos de fraldas e umbigos a cicatrizar. É importante escutar-se um ao outro, há tantas hormonas a jubilar e tanto cansaço a atormentar, que é importante que consigam gerir também o que sentem para que possam, juntos (sempre juntos) conseguir dar ao vosso bebé o melhor de vós.
Ao longo de toda a gravidez, entre consultas, exames médicos, análises de sangue e ecografias, há um lado maternal a crescer e a desenvolver-se em ambos os pais. Há as expetativas, há a curiosidade, há sonhos, há descobertas, há desejos e há medos e receios e tantos outros anseios que crescem a todo o vapor. Chegar ao dia do nascimento é, sem dúvida, para aquilo que nos vamos preparando ao longo de todo este tempo.
Arrumar, cem mil vezes a mala da maternidade, a nossa mala, preparar o quarto e a casa e o coração para todo este turbilhão de emoções, quer (deixem-me que vos diga) uma simples resposta: calma e amor.
O impacto de conhecer o nosso bebé, é algo que nos vai marcar para a vida toda. Seja a gravidez planeada ou não-planeada, aquele derradeiro dia, entre dores de parto, cansaço e emoção, será um dia inesquecível para uma mãe e um pai que se formam, juntos, nesta jornada de amor e de responsabilidade.
A par de tudo isso, há também o síndroma evidente de proteção (“eu sou a mãe e não toquem por favor no meu bebé”). Este síndroma é tão evidente nas maternidades como nos primeiros meses de vida do bebé e no contacto com as visitas. É terrível imaginarmos o nosso bebé a ser tocado por todos, quando tão frágil, apenas reconhece a mãe (em todo o seu ser) e a voz do pai. E, pior, preparamo-nos, toda uma gravidez, para dizer aos nossos familiares e amigos que um bebé recém-nascido não precisa de colos imensos, de ser tirado do berço quando dorme, que não precisa de comparações genéticas pelo grupo de amigos dos pais nem precisa que lhe façam cócegas nas mãos quando puramente ainda nem sabe que está cá fora!?! E sabem que mais, nesses primeiros dias, parece que todos se esqueceram daquilo que dissemos e fazem tudo o que não deviam de fazer e lá estás tu, entre discos de amamentação e um bebé recém-nascido a pedir socorro “não quero descobrir o mundo em 30 minutos” a lembrar-lhes, género alarme sonoro,que terão tempo para os palpites genéticos, para dar a mão e levá-los a comer um gelado e melhor, para dar todos os benditos beijos, que acharam que deviam dar-lhe naquele primeiro momento.
Ora, a este respeito, os pais têm a liberdade de decidir as visitas na maternidade e de facto estabelecer os períodos de visitas após os regresso a casa para que o regresso seja o mais harmonioso e saudável possível para todos, essencialmente (claro) para a mãe e para o bebé. Nós, não nós poupámos a exigências e fomos de facto, contra natura, e definimos que não queríamos visitas. Estes primeiros momentos eram nossos e queríamos vivê-los juntos. Não perdemos pitada e não os dividimos com ninguém (calma, claro que os avós estiveram presentes) mas não fomos para além disso (e foram “domesticados”). É de facto, preciso e urgente, que familiares e amigos, compreendam que uma mãe acabada de dar à luz não está na sua melhor performance para receber visitas dos amigos e de todos (até dos colegas de trabalho e da vizinha do 5º C) e muitos menos, para ouvir (já) “estás tão inchada ainda?”, “parece que ainda tens outro na barriga?”. Por favor. Se não conseguirem guardar essas “preciosidades verbais”, no mínimo, não as digam a uma mãe “acabadinha de ser” (ela sabe que está inchada, e que tem barriga de Gémeos e melhor, até parece que os sente ainda lá dentro).
Nós definimos bem o que queríamos para este enlace com o nosso bebé. Os primeiros dias eram nossos: para podermos juntos conhecê-lo, chorar e babar-se de amor, ter medos, trocar inseguranças e desfrutar de um cansaço que se mistura com muito amor. Mais tarde, seguiu-se as visitas, organizadas e sem claques e ajuntamentos. Fez-se com toda a tranquilidade que é necessária para apresentar ao mundo um bebé recém-nascido, que não conhece (nem está para aí virado) ao mundo dos papás e dos crescidos. Não é fácil os pais quererem conhecer o bebé e ter que o fazer ao mesmo tempo e com todos os outros. Os pais precisam dos primeiros contactos, dos primeiros dias. E é legitimo, são os pais. Terão toda uma vida para partilharem momentos em comum com todos os amigos. E esses serão, sem dúvida, marcantes para todos.

Sem comentários