São primos - Quando a mãe fala

São primos


Conheço famílias numerosas, onde há tios e tias de todos os tamanhos, espadaúdos e trigueiros, redondos e fanfarrões. Há crianças, bem dispostas e felizes, que crescem em mesas gigantes e se sentam no colo de todos. 
Há avós e bisavós e bisnetos e trinetos e tantos netos que nem dedos há para contar. 
E dentro de todas elas, entre adultos e crianças, irmãs e irmãos, cunhados e genros, noras e sobrinhos, há o cantinho especial dos primos.

Os primos contam mil histórias. 
Há famílias pequeninas, onde um ou dois se destacam e convivem, rimam brincadeiras e até partilham a mesma escola. Crescem juntos e são felizes. 

Por outro lado, há famílias, onde primos pequeninos se comparam e competem, procuram atingir resultados e são fustigados por relações de pressão e competitividade e onde a amizade não tem espaço. Crescem e não se conhecem, não se cruzam e não dialogam. Fazem rumos distintos e meramente o sangue e a árvore genealógica os une. 

Em contrapartida, há os primos fanfarrões e pequeninos, que crescem juntos e partilham queques, contam segredos, trocam de sapatos e emprestam brinquedos. Dormem nas casas uns dos outros, riem-se pela noite fora e tomam o pequeno almoço tarde, com torradas e leite e a imitar-se um ao outro. 




Crescem e são irmãos. Sonham de forma distinta... mas aprenderam, desde pequeninos, que os amigos e os primos, devemos tratar como os irmãos: sendo companheiros, solidários, amigos e leais. Sem competição. Sem aparências. Sem pressão. 

Conheço famílias, onde muitos primos se reúnem e já crescidos, formam jantares nas casas uns dos outros, riem-se até tarde e recordam a infância na casa dos tios e dos avós. Trocam experiências, ficam felizes no sucesso de uns e dão as mãos, nos infortúnios de outros. Estão juntos. Mostram-se juntos. E querem sempre ficar juntos. 


No entanto, também conheço famílias, onde primos não se encontram, não se reúnem nem conhecem, de perto, as suas etapas. Vivem separados ou distantes e querem-se distantes. E não se aplaudem nem dão as mãos. 
Não compreendem a essência dos primos e nem da família e ficam longe, são de longe e querem ficar longe. 

Os primos, os que são primos, estão juntos. Ficam juntos. Querem estar juntos. Crescem juntos. Para sempre. 
É com os primos (ainda) que, muitas das vezes, se iniciam as interações sociais, onde se brinca as primeiras brincadeiras e se partilham dentadas e arranhões nos joelhos, onde se brinca às escondidas e onde se descobre que brincar a dois (ou a três, ou a quatro) é muito divertido! Os primos, são tão importantes no crescimento, pela interação familiar que trazem, daí que se pretende que seja a mais saudável e positiva possível, sendo da responsabilidade dos adultos (dos os pais e dos tios) cuidarem dessa “saúde” promovendo os contactos, estimulando o crescimento e partilha conjunta e não incentivando emoções negativas de competitividade (infelizmente, muito comum em contextos familiares), de pressão, de desgaste e até de puro bullying. 
Ora, se pudermos promover relações sociais saudáveis, que se comece desde cedo (e também - e principalmente - na família) e como sabemos, tudo tem efeitos na idade adulta! 
E porque eu, sou de primos juntos (independentemente das idades), pedi a uma das minhas (muitas) primas, a minha mais que querida MF, que partilhasse comigo (e connosco) algo sobre os primos e acreditem que texto saboroso e tão cheio de afecto! A MF é a prima mais amorosa que os primos podem ter (que miúda gentil e simpática)! 

Há os primos irmãos de coração…
Há os primos, os melhores cúmplices…
Há os primos que são nossos aliados…
E há aquela prima “menino Jesus”!
Quando temos primos nossos irmãos, rimos juntos, choramos juntos,
ralhamos à vez, partilhamos tudo… sentimos tudo… vivemos tudo! Somos
unha e carne e nada nem ninguém consegue separar os nossos corações!
Com os primos nossos cúmplices (que são obrigatoriamente da nossa
idade!), partilhamos os nossos mais recônditos segredos (aqueles que ninguém nunca poderá vir a saber!) e aquelas brincadeiras… que só contaremos aos nossos netos! Com estes primos, também partilhamos os nossos sonhos e os nossos medos!
Os primos nossos aliados são, claro está, os primos mais velhos. Somos os seus admiradores secretos e temos traçado o perfil de cada um deles! São nossos aliados na moda, na música… e levamos muito a sério as experiências que nos contam, os seus conselhos e opiniões…!
Mas uma prima bebé tudo revoluciona! Quero ser cúmplice, quero ser
aliada, e até, irmã mais velha! Quero ser chata e dar beijinhos e abraços a toda a hora!
Quando os primos se juntam, há o mundo dos “crescidos” e o mundo
dos primos. Os primos ficam à parte nas refeições, porque não podem ser entediados pelas conversas dos adultos. Os primos correm, saltam e brincam e enchem a casa da avó de gargalhadas estridentes. Os primos congestionam o “trânsito” dos adultos, que trilham passagem por entre nós, afagando os nossos cabelos, mas com um sorriso forçado. Com os primos ninguém se mete!!
Os primos são um bocadinho amigos, um bocadinho irmãos! 


Nada entusiasta a MF, revelou-se tão comprometida comigo (e connosco) que não se intimidou com as letras e deixou fluir as suas emoções. Escreveu e disse, do seu jeito meiguinho e delicioso, como é ser prima, companheira e "irmã" dos primos, num crescimento saudável, harmonioso, nada competitivo e cheio de muito amor. 

E por isso, ainda partilho convosco mais uma das suas letras: 
Os primos são aqueles que consideramos um bocadinho amigos um bocadinho irmãos. Estão ali no limiar entre a palhaçada e os segredos mais secretos. 
São os primos que enchem a casa da avó à volta de um jogo de cartas ou de tabuleiro e que fazem ecoar por todos os cantos as gargalhadas contagiantes. É com os primos que partilhamos as refeições na mesa, porque os "crescidos" ficam noutra mesa para não importunarem as conversas dos primos (e não o contrário!). 

É aos primos que contamos as aventuras da escola, à espera de receber aventuras de volta. É com eles, que montamos tendas na rua para fugir do mundo dos "crescidos" e criar o mundo dos primos. São os primos que vão para o "lanço" (de escadas) proibir a passagem, porque estão entretidos a jogar ao "1, 2, 3 meia, meia lua" ou ao "Rei manda". São os primos que ouvem os ralhetes dos "crescidos" porque "estão sempre a correr de um lado para o outro" ou porque "nunca param quietos", porque estão intensamente motivados na procura do esconderijo perfeito para se safarem de contar no jogo das Escondidas. 
É com os primos, que partilhamos os nossos jogos preferidos e que incitamos o nosso desporto de eleição (não é por acaso que todas as primas partilharam o gosto pela patinagem artística!). É com os primos que combinamos as idas à praia, ansiando mergulhos e brincadeiras entre gelados. É com eles que partilhamos algumas das nossas viagens, passando noites de Verão em claro, a rir baixinho para não acordar os "crescidos"! 

Do mais velho, ao mais novo, todos alinham nas brincadeiras, dando o seu contributo para a alegria da casa, mas é aos primos mais velhos que pedimos conselhos e opiniões para enfrentarmos as aventuras futuras, pelas quais já passaram. É com eles, que debatemos ideias, à espera de saber o que havemos de esperar das novas aventuras, tentando reter um bocadinho da sabedoria deles relativamente ao assunto. 

Aos primos que vimos nascer e crescer, como a Be, desejamos que sejam tão felizes como nós somos, todos juntos! Como temos o "bebé da casa", andamos sempre à volta deles, na tentativa de apanhar todas as gracinhas e todas as coisas novas que vão aprendendo. Com a Be, adotamos, pela primeira vez, o papel de "primo mais velho" e tentamos passar-lhes todos os conselhos que os "primeiros primos mais velhos" nos passaram. 

Quero, pois, que a Be viva todas e mais algumas das nossas aventuras de primos, e que crie tão boas memórias como as que eu criei e que relembro sempre com um sorriso no rosto! No que me compete, nunca lhe faltará uma prima disposta a ouvir as suas histórias e a alinhar nas suas brincadeiras! Quero que ela, tal como eu, sinta que os primos são um bocadinho irmãos, um (grande, grande) bocadinho amigos!

Com muito amor, 

A prima MF, um bocadinho irmã, um bocadinho (gigante) amiga. 

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